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Arte - Alfred Gell

O antropólogo britânico Alfred Gell (1945-1997) desenvolve seu conceito de arte como parte de sua proposta de estabelecimento de uma nova antropologia da arte. Responsável por uma rotação de perspectivas nesse domínio, Gell revisa conceitos como obra de arte, artefato, tecnologia da arte, estética, encantamento, magia e estilo, o que resulta em uma complexa teoria sobre a agência do objeto artístico.

No artigo “A tecnologia do encanto e o encanto da tecnologia (1992), o autor considera as diversas artes como partes de um vasto e frequentemente não reconhecido sistema técnico, que ele denomina “tecnologia do encanto”. Nessa perspectiva, objetos de arte seriam fruto de uma atividade técnica de transubstanciação engenhosa de materiais e das ideias a eles associados. Gell...

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a
autoria

Hélio Menezes e Rafael Hupsel

palavras chave
agência, arte, artefato, magia, Melanésia, Reino Unido, tecnologia
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Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande

Já em sua primeira publicação em 1937, o livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande ganhou lugar de destaque na obra do antropólogo britânico Edward Evan Evans-Pritchard (1902-1973). Fruto de vinte meses de trabalho de campo, realizado entre 1926 e 1929, junto a este povo do sul do Sudão, a monografia é vasta em contribuições tanto teóricas quanto etnográficas, resultantes de um envolvimento intenso com as ideias azande. A bruxaria, questão central do livro, longe de ser um tema concebido antes da ida a campo, se impôs como objeto de estudo por conta de sua presença constante entre os nativos e pela importância atribuída a ela, notada desde os primeiros contatos do antropólogo com a sociedade.


Nos treze capítulos e quatro apêndices que...

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B
autoria

Diogo Barbosa Maciel e Renata Harumi Cortez

palavras chave
religião, lógica, magia, feitiçaria, etnografia, África, Reino Unido
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Chefia Indígena - Pierre Clastres

A reflexão sobre a chefia indígena percorre a obra de Pierre Clastres (1934-1977), constituindo uma dimensão fundamental de sua conceituação de uma sociedade contra o Estado, que renovou a antropologia política, ao transfor, mar o campo de pesquisa sobre as formas indígenas da política. O tema está...

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autoria

Henrique Pougy

palavras chave
política, grupo social, América indígena, França
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Civilização - Marcel Mauss

Há fenômenos sociais que cruzam fronteiras políticas, não estando restritos à circunscrição de tribos, povos, nações, cidades ou Estados, indica o antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950) em artigo escrito em coautoria com Émile Durkheim (1858-1917), “Nota sobre a Noção de Civilização” (1913), e em estudo aprofundado de sua própria autoria, “As Civilizações – Elementos e Formas” (1929). Nesses textos, Mauss defende a transversalidade de tais tipos de fenômenos, que pode ser aferida com a ajuda de diversos exemplos. As coleções arqueológicas dos museus etnográficos e históricos propõem classificações científicas, ainda que hipotéticas, de ferramentas e objetos de arte, representando-as em mapas de dispersão e propondo genealogias...

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autoria

Bruno Martins Morais

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cultura, grupo social, França
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Coral Gardens and Their Magic

Publicada em 1935, Coral gardens, a study of the methods of tilling the soil and of agricultural rites in the Trobriand Islands é a quarta e última monografia produzida por Bronislaw Malinowski (1884-1942) acerca da vida dos nativos das Ilhas Trobriand, no Pacífico Ocidental. Com quase mil páginas de extensão, a obra tem como foco a relação entre magia e práticas agrícolas dos trobriandeses. Embora não tenha tido a notoriedade e difusão de Argonautas do Pacífico Ocidental (1922), Coral Gardens foi considerada pelo próprio autor como sua obra mais bem-acabada, tanto pela exposição sistemática do método funcionalista quanto por sua inovadora abordagem em relação ao campo da linguística, juízo compartilhado por leituras posteriores da obra, como as dos linguistas Jean Rupert Firth (1890-1960) e Terence...

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c
autoria

Natalia Ribas Guerrero e Flávio Bassi

palavras chave
Reino Unido, magia, agricultura, linguagem, Melanésia
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Cultures of relatedness

Cultures of Relatedness (2000) é uma coletânea organizada e introduzida pela antropóloga britânica Janet Carsten, composta por oito ensaios assinados por Charles Stafford, Sharon Hutchinson, Helen Lambert, Rita Astuti, Karen Middleton, Barbara Bodenhorn, Jeanette Edwards e Marilyn Strathern (1941). Resultado de uma conferência sobre fronteiras e identidades realizada na Universidade de Edimburgo em 1996, o livro é uma resposta à Critique of the Study of Kinship (1984) em que o antropólogo norte-americano David Schneider (1918-1995) condena o método genealógico que, segundo ele, estaria baseado na suposição ocidental de preeminência da biologia na criação de laços de parentesco, concluindo ser o parentesco um conceito que não existe em outras sociedades, senão nas ocidentais. Com o objetivo de refutar as abordagens...

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autoria

Aline Lopes Murillo

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Estados Unidos, parentesco, cultura
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Ensaio sobre a dádiva

O Ensaio sobre a dádiva (1923-1924), assinado por Marcel Mauss (1872-1950), e publicado originalmente na revista Année Sociologique, é obra central para a teoria antropológica. O texto integra um conjunto de pesquisas empreendidas pelo antropólogo francês sobre as características das formas arcaicas do contrato e de diversos sistemas de trocas ditas econômicas. Lançando mão da comparação entre diferentes sistemas de dádivas nas sociedades da Polinésia, Melanésia e noroeste americano, Mauss explicita o princípio comum que regula essas trocas: a obrigação de dar, receber e retribuir. O autor parte das formas arcaicas da troca, mas defende a generalidade da lógica da dádiva – argumento central do Ensaio -, também observável, segundo ele, nas...

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e
autoria

Ana Luísa Sertã e Sabrina Almeida

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economia, troca, comparação, França
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prévia

Estar Vivo

Estar vivo - Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição (2011) é uma coletânea de ensaios do antropólogo britânico Tim Ingold (1948-) escritos e ministrados ao longo da primeira década do século XXI. O volume dá continuidade e atualiza um processo teórico iniciado em Lines: a brief history (2007), subsidiando formulações posteriores, reunidas em Making: Anthropology, Archeology, Art and Architecture (2013). As ideias do livro, segundo ele, orbitam em torno das três palavras-chave que o intitulam: movimento, conhecimento e descrição. Estas não são meras sequências de operações, mas compostos paralelos de um só processo, o do curso da vida. Uma simples caminhada, ele sugere, mobiliza as três operações ao mesmo tempo, o que requer observação para além dos grandes esquemas filosóficos sobre o “...

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autoria

Arthur Fontgaland

palavras chave
conhecimento, fenomenologia, etnografia, Reino Unido
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Edward Evan Evans-Pritchard

Edward Evan Evans-Pritchard (1902-1973), antropólogo britânico cujo trabalho revelou-se determinante para o desenvolvimento da antropologia social no século XX, inicia sua graduação em História Moderna no Exeter College, na universidade de Oxford (1921), período em que conhece Robert Ranulph Marett (1866-1943), um dos fundadores da Oxford Anthropology Society e seu interlocutor ao longo da década de 1920. Por incentivo de Marret passa a frequentar os seminários de antropologia na London School of Economics, tendo entre os professores...

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autoria

Carolina Cordeiro Mazzariello, Lucas Bulgarelli Ferreira e Lúcia Klück Stumpf

palavras chave
comparação, estrutura, etnografia, feitiçaria, história, magia, política, religião, África, Reino Unido
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prévia

Gênero

O termo gênero é comumente utilizado nas ciências sociais e humanas para enfatizar o caráter cultural das diferenças existentes entre homens e mulheres. As assimetrias de poder que demarcam estas distinções e discriminações são justificadas pela atribuição de características entendidas como naturais entre homens e mulheres, traços decorrentes das distinções corpóreas, em especial as associadas às capacidades reprodutivas. Os estudos clássicos de Marcel Mauss (1872-1950), As técnicas do corpo (1934) e de Margaret Mead (1901-1971), Sexo e Temperamento (1936) já indicavam que certos padrões de conduta não estavam relacionados à natureza de homens e mulheres, mas...

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autoria

Carolina Cordeiro Mazzariello e Lucas Bulgarelli Ferreira

palavras chave
corpo, cultura, feminismo, gênero, identidade, política, significação
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Irving Goldman

Irving Goldman nasceu em 2 de setembro de 1911, no Brooklin, em Nova York, filho de Golda e Louis Goldman, imigrantes russos, e faleceu em 7 de abril de 2002, aos 90 anos de idade. Após concluir sua graduação no Brooklin College, em 1933, ingressou na Columbia University, instituição onde foi aluno de Franz Boas (1858-1942). Seu primeiro trabalho antropológico foi realizado com os índios Modoc, na Califórnia, em 1934. Para seu trabalho final de graduação na Columbia, estudou os Ulkatcho Carrier da Columbia Britânica (entre 1935-36), no noroeste dos Estados Unidos, pesquisa publicada na coletânea Acculturation in Seven American Indians Tribes (1940). Obteve seu Ph.D. em antropologia no ano de 1941, com a tese sobre os Cubeo do rio Cuduiari, na região do Vaupés colombiano, onde esteve entre 1939 e 1940. O trabalho de...

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autoria

Diego Rosa Pedroso

palavras chave
América indígena, cultura, etnografia, Estados Unidos
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I

A Invenção do Cotidiano

O livro A Invenção do Cotidiano (1980) do historiador e antropólogo francês Michel de Certeau (1924-1986) desdobra-se em dois tomos: Artes de fazer (volume 1) e Habitar, cozinhar (volume 2), este escrito com Luce Giard, historiadora das ciências e da religião, e Pierre Mayol, aluno de Certeau. A obra é fruto de um trabalho coletivo realizado entre 1974 e 1977, a partir de uma encomenda do Ministério da Cultura francês interessado em questões de cultura e de sociedade, e sobre as quais Certeau trabalhara em obras precedentes, por exemplo em La culture au pluriel (1974). À proposição feita, Certeau e equipe respondem pela análise das práticas culturais cotidianas, tema a partir do qual desenvolvem uma abordagem do consumo cultural, pensado como dimensão criadora e inventiva.

No...

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I
autoria

Bruno Ribeiro da Silva Pereira e Mariana Luiza Fiocco Machini

palavras chave
cultura, política, espaço, linguística, ação, linguagem
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Kinship and marriage among the Nuer

Publicado em 1951, Kinship and Marriage Among the Nuer é o segundo volume da trilogia Nuer, conjunto de monografias escrito pelo antropólogo britânico Edward E. Evans-Pritchard (1902- 1973) sobre os Nuer, povo nilótico do Sul do Sudão. Assim como suas obras Os Nuer: uma descrição do modo de subsistência e das instituições políticas de um povo nilota (1940) e Nuer Religion (1956), este livro é baseado em um total de doze meses de pesquisa de campo realizada sob condições adversas entre 1930 e 1936, e financiada pelo governo anglo-egípcio do Sudão. Os dez anos que separam as datas de publicação do primeiro e do segundo volume devem-se ao agravamento da II Guerra e à...

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K
autoria

Henrique Pougy

palavras chave
estrutura, parentesco, política, grupo social, etnografia, África, Reino Unido
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Michel Leiris

Michel Leiris (1901-1990) é, a um só tempo, etnólogo, etnógrafo, poeta, memorialista e crítico de arte. Esta posição liminar franqueia-lhe o trânsito incessante pelas fronteiras epistemológicas entre esses domínios, que se retroalimentam; basta lembrar que seus sucessivos escritos autobiográficos orientam-se pela preparação de fichas segundo critérios similares aos que empregou nas pesquisas etnográficas.

Seu interesse pela antropologia foi suscitado por seus contatos com as vanguardas artística e literária de Paris dos anos 1920, fascinadas pelo primitivismo, e confirmado quando do trabalho na revista Documents, dirigida por Georges Bataille (1897-1962), momento em que conhece Marcel Griaule (1898-1956), que o convida a integrar a Missão etnográfica e linguística Dacar-Djibuti (1931-1933). Ao longo da viagem de dois...

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L
autoria

Luís Felipe Sobral

palavras chave
França, África, religião, arte
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Liminaridade e communitas - Victor Turner

Victor Turner (1920-1983), antropólogo britânico que dedicou boa parte de seus esforços intelectuais ao entendimento das simbologias subjacentes aos rituais, deu contribuição significativa à compreensão das práticas rituais ao refinar a noção de liminaridade e elaborar, a partir dela, o conceito de communitas. O autor concebe a ideia de liminaridade como correspondendo a um momento de margem dos ritos de passagem: fase ritual na qual os sujeitos apresentam-se indeterminados, em uma espécie de processo transitório de “morte” social, para, em seguida, “renascerem” e reintegrarem-se à estrutura social. Liminaridade é, portanto, uma condição transitória na qual os sujeitos encontram-se destituídos de suas posições sociais anteriores, ocupando um entre-lugar indefinido no qual não é possível categorizá...

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L
autoria

Rafael da Silva Noleto e Yara de Cássia Alves

palavras chave
estrutura, grupo social, performance, ritual, política, parentesco, Estados Unidos
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Linguagem e Ritual - Pierre Bourdieu

As considerações do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) sobre as relações entre linguagem e ritual, presentes no conjunto de artigos que compõem a obra A economia das trocas linguísticas. O que falar quer dizer (1982), derivam inicialmente de uma crítica às ideias do filósofo e linguista britânico J. L. Austin (1911-1960). Segundo Austin, a força ilocutória do discurso, sua capacidade de promover ações, encontra origem nas próprias palavras, entendidas como objetos autônomos, ideias que, em linguística, ficaram conhecidas como a “teoria dos atos da fala”. Para Bourdieu, haveria um equívoco nas formulações dos linguistas cuja origem epistemológica remonta à divisão que F. Saussure (1857-1913) realizou entre a ciência da língua (linguística interna) e a ciência dos...

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L
autoria

Cibele Barbalho Assênsio e Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior

palavras chave
ação, agência, instituição, linguagem, linguística, magia, ritual
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The Magical Power of Words

A pergunta que norteia o ensaio The Magical Power of Words (1968) do antropólogo Stanley Tambiah (1929-2014) refere-se à potência mágica que as palavras possuem no contexto ritual. O autor elege a linguística como fonte teórica para discutir a relação entre atos e palavras, de modo a problematizar a concepção antropológica clássica que vê o ritual como repetição de palavras, atos não verbais, manipulação de objetos e, ainda, a partir da oposição entre magia e religião. Ao descrever um complexo ritual de exorcismo no Sri Lanka (Ásia do Sul), Tambiah indica que as palavras podem ser proferidas em diferentes idiomas, mostrando-se: coloquiais ou eruditas (acompanhadas de música ou oferendas de alimentos); ditas em voz baixa ou alta, ou em uma variedade de...

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M
autoria

Helena de Morais Manfrinato

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ação, feitiçaria, linguagem, magia, religião, ritual, significação, linguística, Melanésia, mito, performance
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Manifesto ciborgue

O Manifesto ciborgue -­ ciência, tecnologia e feminismo­ socialista no final do século XX (1985) é um ensaio escrito pela bióloga e filósofa norte-americana Donna J. Haraway (1944). Com título que alude ao Manifesto Comunista (1848) de Karl Marx e Friedrich Engels, o Manifesto Ciborgue integra um conjunto de posicionamentos públicos do feminismo socialista estadunidense acerca dos rumos dos movimentos sociais de esquerda desse país na década de 1980. Trata-se de uma obra central para a compreensão da crítica feminista da ciência proposta pela autora, que reverbera em suas obras posteriores, entre as quais Primate Visions: gender, race, and nature in the world of modern science (1990); Simians, Cyborgs and Women: The Reinvention of Nature (1991)...

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M
autoria

Arthur Fontgaland e Renata Cortez

palavras chave
ciência, corpo, feminismo, gênero, raça, grande divisor, identidade, sexualidade, tecnologia, Estados Unidos
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Manual de etnografia

O Manual de etnografia (1947) é um compêndio que reúne anotações de alguns alunos do curso de “Instruções de Etnografia Descritiva” ministrado pelo antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950) entre 1926 e 1940 no Instituto de Etnologia da Universidade de Paris, instituição fundada pelo próprio Mauss e por Lucien Lévy-Bruhl (1857-1937), em 1925. O curso, frequentado por público diverso, forma a primeira geração de etnólogos franceses em campo, entre os quais: Maurice Leenhardt (1878-1954), André Schaeffner (1895-1980), Marcel Griaule (1898-1956), Michel Leiris (1901-1990), Alfred Métraux (1902-1963), Denise Paulme (1909-1998), André Leroi-Gourhan (1911-1986) e Louis Dumont (1911-1998).

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M
autoria

Bruno Ribeiro da Silva Pereira, Gustavo dos Santos Berbel e Mariana Luiza Fiocco Machini

palavras chave
França
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Marcel Mauss

Marcel Mauss nasceu em Épinal (França), a 10 de maio de 1872, onde concluiu seus primeiros estudos. Sob orientação de Émile Durkheim (1858-1917), seu tio, segue para a Universidade de Bordeaux (1887), licenciando-se em filosofia e trabalhando como professor de 1895 a 1900. Durante esse período, fez estágios em universidades da Holanda e Inglaterra, dedicando-se ao estudo da história das religiões e do pensamento hindu. Na École Pratique des Hautes Études, de Paris, assumiria o lugar de León Marillier na cátedra de “história das religiões dos povos não-civilizados”, como docente e diretor de pesquisas (1902). O pensamento enciclopédico, erudito e moderno já estaria presente em sua aula inaugural, O ofício do etnólogo, método sociológico (1902), na qual defende um método eminentemente sociológico para...

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M
autoria

Fabiana de Andrade, Jorge Gonçalves de Oliveira Júnior e Michelle Cirne

palavras chave
França
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Método - Marcel Mauss

Definir um método de trabalho maussiano é tarefa no mínimo arriscada, já que em seus artigos e ensaios Marcel Mauss (1872-1950) não se preocupou em estabelecer sínteses metodológicas. Suas observações sobre o método encontram-se espalhadas em diversas análises: sobre a dádiva, a prece, a magia, os sentimentos, o corpo, a nação, a civilização etc., além de presentes em notas de aula e em comunicações orais. Tal constatação não impede a localização de características marcantes do método maussiano, fundamentalmente: o caráter partilhado do trabalho sociológico e a defesa de que este deveria se basear em fatos sociais concretos.

O primeiro traço do método do antropólogo francês refere-se ao trabalho coletivo como prerrogativa para desenvolver o método comparativo; a...

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M
autoria

Olavo Souza Filho e Michelle Cirne

palavras chave
França, comparação, etnografia
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O método genealógico na pesquisa antropológica

O artigo “O método genealógico na pesquisa antropológica”, assinado por William H. R. Rivers (1864-1922), como indica o título, dedica-se à apresentação do método genealógico concebido por Rivers com auxílio de Alfred Cort Haddon (1855-1940), durante a expedição ao estreito de Torres (1898), cujo objetivo é fornecer uma base científica para a nova disciplina, pela sistematização de instrumental próprio para a análise antropológica. Sua primeira versão, “A genealogical method of collecting social and vital statistics”, é exposta à comunidade científica em 1900; após a experiência etnográfica de Rivers entre os Toda na Índia, o texto é republicado no The Genealogical Method of Anthropology Inquiry (1910).

O método consiste na coleta de genealogias reais de determinado povo com base em...

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M
autoria

Mariana Carolina Mandelli, Michel de Paula Soares e Raphael Piva Favalli Favero

palavras chave
método genealógico, parentesco, etnografia
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Moeda - Marcel Mauss

O termo moeda foi usado pelo antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950) de forma menos restrita do que fora empregado antes por Bronislaw Malinowski (1884-1942) e F. Simiand (1873-1935). Para Malinowski, a designação indica não apenas objetos visando a troca, mas aqueles que permitem aferir valor. Para Mauss, por sua vez, o valor econômico só tem lugar com a “moeda propriamente dita”, quando as riquezas são condensadas e os signos de riqueza “impessoalizados”, isto é, separados das pessoas morais, sejam elas coletivas ou individuais. Nos escritos sobre o tema, Mauss propõe estender a noção de moeda - que pode assumir a forma de objetos variados - para além da nossa, a única, segundo ele, a preencher os critérios de uma definição estrita do termo...

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M
autoria

Camila Galan de Paula

palavras chave
troca, economia, França
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Museu Paulista

Sediado em um edifício que foi erguido às margens do Ipiranga para celebrar a independência do Brasil, o Museu Paulista (MP), popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, é o primeiro museu público fundado no estado de São Paulo e o maior monumento erguido em São Paulo durante o Império. Construído pelo engenheiro e arquiteto Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844-1915), o Monumento do Ipiranga foi inaugurado em 1893, já durante a República. Dois anos depois, o museu seria instalado no interior do edifício-monumento.

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M
autoria

Adriana de Oliveira Silva e Thaís Chang Waldman

palavras chave
Brasil, museu
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N

prévia

Naven

Publicada originalmente em 1936, Naven: um esboço dos problemas sugeridos por um retrato compósito, realizado a partir de três perspectivas da cultura de uma tribo da Nova Guiné é uma obra baseada no trabalho de campo que Gregory Bateson (1904-1980) realizou entre os Iatmul (povo das terras baixas do rio Sepik, Nova Guiné), ao longo de 1929 e 1932. Uma das principais contribuições da obra é fazer do comportamento ritual o centro da investigação antropológica.

A monografia focaliza as atitudes observadas durante o ritual nativo naven, analisando-as a partir de diferentes pontos de vista científicos, parciais mas complementares entre si. A cerimônia que dá título ao livro ocorre para comemorar realizações culturalmente valorizadas de um jovem iatmul. Sua principal figura é o tio materno (wau) que, em...

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N
autoria

Eduardo Santos Gonçalves Monteiro e Rodrigo Rossi Mora Brusco

palavras chave
Reino Unido, Melanésia, ritual, grupo social
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Nuer Religion

Nuer Religion (1956) faz parte da trilogia escrita pelo antropólogo britânico Edward Evan Evans-Pritchard (1902-1973) sobre os Nuer, povo que vivia, na época do trabalho de campo do autor, entre 1930 e 1936, às margens do rio Nilo, ao sul da então colônia britânica do Sudão. As incursões do antropólogo às terras nuer resultaram nas obras Os Nuer: uma descrição do modo de subsistência e das instituições políticas de um povo nilota (1940), Kinship and marriage among the Nuer (1951) e Nuer religion (1956), monografias consideradas clássicas que...

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N
autoria

Aline Aranha, Gabriela Freire e Hélio Menezes

palavras chave
estrutura, etnografia, lógica, religião, África, Reino Unido
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Paisagem - Tim Ingold

Desenvolvida por Tim Ingold (1948) ao longo de sua obra, a partir da leitura de etnografias variadas, e de trabalhos de ciências humanas, naturais e da filosofia - em particular dos trabalhos de Jakob von Uexküll (1864-1944), Martin Heidegger (1889-1976), James Gibson (1904-1979) e de Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) -, a noção de paisagem (landscape) é pensada a partir de inúmeros processos que se verificam na passagem do tempo, na forma de registros duradouros de vidas e da atividade de gerações de seres, incluídos aí seres humanos, animais e plantas, assim como ciclos geológicos e atmosféricos. Paisagens estão intimamente relacionadas à temporalidade; são histórias e nos oferecem modos de contar histórias mais profundas sobre o mundo. Mas “temporalidade” não se confunde com “cronologia”, sucessão...

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autoria

André Sicchieri Bailão

palavras chave
Reino Unido, espaço, temporalidade
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prévia

A Prece

A Prece (1909) é um fragmento da tese de doutorado inacabada do antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950), na qual ele argumenta que o fenômeno constitui um dos elementos centrais da vida religiosa, de maneira que uma análise da evolução das formas da oração permitiria demonstrar o processo de evolução da religião em geral.

O estudo da prece, nos termos do autor, segue uma metodologia de tipo histórico-genético, em que a análise se inicia a partir de formas consideradas mais elementares, para chegar até formas ditas mais complexas. O objetivo é mostrar como as segundas surgiram a partir das primeiras, descrevendo a ordem de sua gênese por meio de uma sucessão histórica. Ao apresentar a metodologia proposta, Mauss faz uma comparação com outra...

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autoria

Alice Haibara e Maria Izabel Zanzotti de Oliveira

palavras chave
ação, comparação, religião, ritual, mito, França
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A representação coletiva da morte

A importância do ensaio A representação coletiva da morte (1907) do antropólogo francês Robert Hertz (1881-1915) reside em antecipar debates que tomarão protagonismo na antropologia posterior, por exemplo em obras de Arnold Van Gennep (1873-1957) e Victor Turner (1920-1983) sobre ...

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autoria

Letizia Patriarca e Luiza Ferreira Lima

palavras chave
representação, corpo, França
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A representação do Eu na vida cotidiana

A Representação do Eu na vida cotidiana (1959) é o primeiro e um dos mais conhecidos livros do sociólogo canadense Erving Goffman (1922-1982). Nele, o autor propõe uma abordagem microssociológica para interpretar a vida social a partir de uma análise das interações face a face, lançando mão de vocabulário e perspectiva provenientes do teatro. O livro se ampara no material de sua tese de doutorado, fruto de pesquisa etnográfica junto a uma comunidade agrícola nas Ilhas Shetland, e em uma miríade de outros exemplos extraídos da vida cotidiana.

 Wikimedia/American Sociological AssociationNos sete capítulos que compõem a obra, o autor...

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R
autoria

Diogo Barbosa Maciel e Gustavo dos Santos Berbel

palavras chave
ação, corpo, expressão, interação, performance, Estados Unidos
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Os Ritos de Passagem

No livro Os Ritos de Passagem (1909), o antropólogo franco-holandês Arnold van Gennep (1873-1957) dedica-se ao estudo dos rituais a partir de vasto conjunto de dados etnográficos, identificando uma classe específica de ritos, que ele denomina ritos de passagem. Sob essa classe de ritos, indica o autor, é possível agrupar uma grande variedade de rituais que observam um padrão recorrente de distribuição cerimonial, de acordo com a proposta geral da obra de estabelecer uma esquematização dos mecanismos rituais, ou “as razões de ser das sequências cerimoniais”.

Arnold van Gennep, 1920. Wikimedia Commons.

Van Gennep...

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autoria

Renan Arnault e Victor Alcantara e Silva

palavras chave
França, ritual, religião, magia, sagrado
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Ritual - Roy Wagner

O “ritual” é, para Roy Wagner (1938), análogo à “cultura”: ambos constituem um estilo interpretativo, um modo criativo que se utiliza de distinções convencionais para improvisar e produzir a diferença. A diferença entre eles é que o conceito de “cultura” é mobilizado para designar fenômenos mais abrangentes, enquanto o “ritual” é parte da “cultura” e constituiu uma modalidade específica de ação criativa que opera dentro dela como um controle. A especificidade do rito reside, em primeiro lugar, no seu caráter não-cotidiano; trata-se de uma ação que metaforiza distinções sociais tidas como dadas durante a vida regular do grupo. A motivação para essa manipulação deliberada das convenções sociais é a necessidade de controlar uma situação ou evento diferenciante que, tomado...

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autoria

Augusto Ventura dos Santos e Olavo de Souza Pinto Filho

palavras chave
ação, cultura, mito, ritual, significação, Melanésia, Estados Unidos
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William Halse Rivers

Nascido na cidade de Chatham, região do Kenty, Inglaterra, William Halse Rivers (1864-1922) conclui sua graduação em Medicina, aos 22 anos, obtendo o título de doutor na Universidade de Londres, dois anos depois. Em 1891, trabalha como médico residente no National Hospital for the Paralysed and Epileptic, período em que publica estudos nas áreas de Psicologia e Neurologia. A fim de especializar-se nesses campos, muda-se para a Alemanha, onde irá estudar na Universidade de Jena com o psiquiatra Emil Kraepelin. De volta à Inglaterra, assume o Laboratório de Psicologia na University College London, tornando-se, em 1897, o primeiro professor em Psicologia Fisiológica e Experimental da Universidade de Cambridge. Na primeira década do século XX, Rivers produz uma série de artigos nos campos da antropologia e psicologia experimental...

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autoria

Mariana Carolina Mandelli, Michel de Paula Soares e Raphael Piva Favalli Favero

palavras chave
método genealógico, organização social, etnografia, parentesco, Melanésia, Reino Unido
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Jean Rouch

Jean Rouch (1917-2004), matemático e engenheiro de formação, atuou entre a antropologia e o cinema, campos, para ele, inseparáveis. Sua obra e pensamento encontram repercussão nos dois domínios, sendo que sua extensa produção de filmes etnográficos - mais de 120 filmes, a maioria produzida na África ocidental -  se sobrepõe, do ponto de vista dos rebatimentos posteriores, aos seus escritos.

Seu primeiro contato com a África data de 1941, quando esteve no Níger como engenheiro, interessando-se pela etnografia e pelo uso da imagem. De volta à França inicia um doutorado em antropologia sob a orientação de Marcel Griaule (1898-1956), que culmina com as teses “Contribution à l’histoire des Songhay” (tese complementar, 1953) e “La religion et la magie Songhay”, (tese principal, 1960...

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autoria

Ana Carolina Estrela da Costa

palavras chave
França, África, cinema, antropologia visual, antropologia compartilhada
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The Sanusi of Cyrenaica

Permanecendo ainda desconhecida para grande parte dos leitores do antropólogo britânico Edward Evans Evans-Pritchard (1902-1973), The Sanusi of Cyrenaica (1949) é um estudo histórico sobre o desenvolvimento político da fraternidade islâmica conhecida como Ordem Sanusiya na região da Cyrenaica, na costa da Líbia. No período em que o autor viveu no Egito, lecionando na Universidade do Cairo (1932-1934), quando veio a conhecer alguns exilados Sanusi, Evans-Pritchard teve a oportunidade de viajar por diversas regiões do norte da África, adquirindo conhecimento sobre a história e a cultura beduínas, além de domínio da língua árabe. Durante...

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autoria

Fábio Ribeiro e Rafael Hupsel

palavras chave
África, história, política
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Sobre o sacrifício

No ensaio clássico Ensaio sobre a natureza e a função do sacrifício (1899), os antropólogos franceses Marcel Mauss (1872-1850) e Henri Hubert (1872-1927) compreendem o sacrifício como um rito que põe em movimento o conjunto das coisas sagradas às quais se dirige; procedimento que estabelece uma comunicação entre o mundo sagrado e o mundo profano por intermédio de uma vítima, ou seja, de um ser vivo destruído durante a cerimônia. Dedicados ao esquema do ritual, os autores investem na compreensão da unidade do sistema sacrificial, e não em suas origens.

Os sacrifícios se distinguem em pessoais, que incidem sobre a pessoa do sacrificante, e objetivos, que incidem sobre um objeto, por exemplo, uma casa. Atuam no rito: o...

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autoria

Rodrigo Valentim Chiquetto e Valéria Oliveira Santos

palavras chave
ritual, sagrado, religião, França
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Sociedade contra o Estado - Pierre Clastres

A noção de sociedade contra o Estado é desenvolvida pelo filósofo e etnólogo francês Pierre Clastres (1934-1977) nos escritos reunidos em A sociedade contra o Estado, 1974 e Arqueologia da violência (1980). Por meio dela, o autor refuta a ideia de que a evolução das sociedades deve ser medida pela presença ou ausência do Estado ou por um maior, ou menor grau, de centralização de poder, dirigindo duras críticas ao grande divisor entre sociedades com e sem poder, corroborado por diferentes modelos de análise política como, por exemplo, os de Meyer Fortes (1906-1983) e Edward Evan Evans-Pritchard (1902-1973) na obra African Political Systems (...

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autoria

Aline Aranha e Gabriela Freire

palavras chave
América indígena, economia, grande divisor, grupo social, guerra, história, política
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Stanley Tambiah

Nascido no Ceilão (atual Sri Lanka) de família tâmil, o antropólogo Stanley Jeyaraja Tambiah (1929-2014) iniciou sua trajetória acadêmica nas áreas de sociologia e economia. Fluente em cingalês, inglês e tâmil, graduou-se na Universidade do Ceilão (1951) e obteve o doutorado em sociologia na Universidade de Cornell (1954), ambas no Sri Lanka. Foi antropólogo da UNESCO na Tailândia (1960-1963) e integrou os quadros acadêmicos da Universidade de Cambridge como lecturer do King’s College (1963-1972). Em seguida (1973-1976) teve uma breve passagem como docente na Universidade de Chicago, acabando por se fixar permanentemente na Universidade de Harvard (1976-). Ainda que sociólogo de formação, Tambiah manteve contato estreito e permanente com a antropologia, sendo sua tese de doutorado (cujos argumentos vêm a público em artigo de...

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autoria

Helena de Morais Manfrinato

palavras chave
ação, magia, performance, Estados Unidos
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As técnicas do corpo

Em As técnicas do corpo (1934), comunicação apresentada à Sociedade de Psicologia, o antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950) trata de um domínio até então nublado pela noção tradicional de tecnologia, entendida como instrumento envolvido no ato de manipulação. Às técnicas dos instrumentos, Mauss opõe um conjunto de técnicas do corpo, ao qual confere um papel preliminar: o corpo é o primeiro instrumento do homem, e ainda, o primeiro objeto e meio técnico do homem. Atribuindo à noção de técnica o que chama de ato tradicional eficaz, Mauss afirma não existir técnica nem transmissão se não houver tradição. Técnicas do corpo referem-se então aos modos pelos quais as pessoas sabem servir-se de seus...

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autoria

Alice Haibara e Valéria Oliveira Santos

palavras chave
corpo, tecnologia, França
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